• O que fazer se um colega me boicota no trabalho?

    21 May 2013
  • Há pouco mais de um ano fui contratada por uma empresa de auditoria e consultoria para atuar em uma equipe jovem formada por cinco pessoas. Gosto do trabalho e me dou bem com todos, exceto com uma profissional. Na verdade, não tenho nada contra essa pessoa e até acho-a talentosa, mas sinto que ela me persegue, falando mal de mim pelas costas e boicotando minhas sugestões e ideias. Já mencionei isso com outros colegas, mas a tendência de todos sempre é minimizar a situação. Por essa razão, não tenho coragem de reclamar com nosso gestor, pois acho que ele também não dê importância ao caso. Como posso resolver isso?

    Auditora, 25 anos

    A maioria dos profissionais é contratada por uma empresa pelos seus conhecimentos técnicos, é demitida em função dos comportamentos que estão desalinhados ao esperado e pede demissão por não se identificar com a cultura e valores da empresa ou pelo relacionamento com chefes e pares. A arte da convivência é um desafio em qualquer esfera da vida humana, no âmbito profissional pode ser ainda mais difícil já que somos constantemente avaliados por trabalhar bem em equipe, há uma referência de conduta e comportamento e não é simples optar por não conviver com as pessoas com as quais não gostamos de trabalhar. E caso optemos, temos que estar preparados porque nem sempre temos a possibilidade de trabalhar só com quem gostamos e quem gosta da gente, e isso independe da empresa ou da cultura na qual estamos inseridos.

    A minha primeira recomendação é que você converse diretamente com a profissional em questão. De preferência em um local que garanta uma privacidade e que nem você, nem ela, se sintam desnecessariamente expostas. Como você não tem nenhuma evidência clara de que esse incômodo é real e nem os seus colegas têm a mesma percepção que você sobre o relacionamento e muito menos eles confirmam que ela fala mal de você pelas costas, só um diálogo poderá trazer indícios mais reais para você tomar a decisão de expor ou não para o seu chefe. O ideal é que essa conversa não ganhe um formato propício para acusações, desabafos ou afirmações sem fundamento. O importante é compartilhar a sua sensação e o impacto que as atitudes dela têm em você. Deixe claro que gosta dela, considera ela talentosa, mas que a desconfiança tem atrapalhado a aproximação e entrosamento entre vocês. Acho fundamental que você imprima nessa conversa um tom profissional, ou seja, mostre o impacto que essa sensação pode ter no trabalho da equipe já que todos constituem uma rede ou um sistema.

    É claro que é preciso que você lide com as diversas reações que ela poderá ter. É possível que ela não reaja ou diga exatamente o que gostaria de ouvir. Pode ser que ela não se sinta confortável para compartilhar o que pensa e sente, de verdade, sobre a situação. No entanto, o importante é que você se concentre na sua atitude, na sua tentativa de resolver isso da melhor maneira possível, ou seja, antes de expor ao gestor, você procurou conversar diretamente com a profissional. E caso você continue se sentindo desconfortável, aí terá que fazer uma escolha de sinalizar ou não para o gestor o incômodo e até mesmo terá que decidir se quer permanecer ou não nesse time.

    Lembre-se que aprender a lidar com essas situações só vai trazer aprendizados importantes para sua carreira, afinal, trabalhar com o que gostamos, aonde e com quem gostamos, não nos impede de viver dias nos quais questionamos as nossas escolhas.

    Texto publicado na Coluna Divã Executivo do jornal Valor Econômico
    por Sofia Esteves
    Presidente do Grupo DMRH

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