• O que fazer se me sinto inseguro em um novo setor?

    12 Nov 2013
  • “Há pouco menos de um ano mudei de empresa e de segmento de atuação, com o objetivo de adquirir novas habilidades e conhecer outras possibilidades de carreira. Além disso, sempre trabalhei na mesma área e precisava descobrir o que mais era possível fazer na minha profissão. Apesar de ter uma função bastante desafiadora, sinto que não consigo atingir os resultados desejados pelos meus gestores nem suprir as minhas expectativas profissionais. Várias vezes pensei em pedir demissão. Ao mesmo tempo, tenho medo de estar apenas exagerando ou desistindo rápido demais – até porque meus chefes costumam me dar feedbacks positivos. O que devo fazer?” – Analista, 26 anos

    Antes de tudo, quero lhe dar parabéns pela coragem e ousadia de se arriscar, sair da sua zona de conforto e ampliar suas possibilidades de carreira e habilidades. A meu ver, isso já lhe torna uma profissional diferenciada: protagonista da própria trajetória. Pela sua idade, imagino que esteja no início da carreira, ou seja, atuando profissionalmente no mesmo segmento há, no máximo, quatro anos, certo? Isso é importante porque a expressão “sempre trabalhei na mesma área” pode dar um peso desnecessário para sua reflexão e autocrítica.
    Processos de mudança exigem resiliência para se enfrentar as conseqüências e o medo do novo. No seu caso, temos um agravante: você escolheu mudar. E isso dá espaço para mais dúvidas e culpas. Os processos de mudança são caracterizados por padrões de comportamento: negação, resistência, exploração e comprometimento. Em relação às mudanças profissionais por escolha própria, a maioria das pessoas para na etapa de negação que é quando o profissional ignora os sinais de que a mudança é necessária.

    A etapa de resistência existe para que você possa traçar um plano de ação que lhe ajude a fazer com que essa mudança funcione da melhor maneira possível. Essa fase pode ser muito positiva quando gera aquela ansiedade inicial de que o novo está por vir e que não existirão mais problemas (como a fase da paixão nos relacionamentos), mas pode ser também destrutiva quando o profissional se recusa a tentar novas maneiras para garantir bons resultados.
    Para passar pela etapa de resistência, recomendo que esteja consciente de que é natural sentir-se assim, busque falar com pessoas que tenham um ponto de vista positivo em relação à sua mudança, liste as perdas e ganhos que você tem e teve com sua decisão e potencialize os ganhos. Essas ações poderão lhe ajudar a ir para a próxima fase, que é a de exploração, quando você pode se beneficiar com novas perspectivas. Invista tempo para praticar suas novas habilidades. Quando se trata de mudanças de carreira, menos de um ano pode ser pouco para um veredicto. Você menciona feedbacks positivos. Será que não vale rever sua régua de autoavaliação? O que você estava esperando viver? Como pode correr atrás de evidências que lhe trarão segurança? Será que um aperfeiçoamento técnico não ajudaria para o próximo passo?

    Depois da etapa de exploração, é comum que o indivíduo viva a fase de comprometimento, que é marcada pela sensação de alívio. Já há visualização de futuro e foco naquilo que precisa ser feito para que a nova situação evolua. Há também uma tendência de olhar para trás, de refletir sobre o que aprenderam e de agradecer àqueles que lhes ofereceram apoio. Todo mundo quer chegar logo nessa fase, mas ela só acontece quando vivenciamos as anteriores com profundidade e clareza. Invista, então, no seu autoconhecimento, envolva outras pessoas e profissionais nesse processo de dúvida que está vivendo, dê foco para aquilo que está sob o seu controle e tenha certeza que, dando certo ou não, esta mudança de carreira lhe trará aprendizados importantes e que serão valorizados em futuras oportunidades de trabalho. Há pesquisas que demonstram que pessoas que gerenciam bem processos de mudança tendem a ter mais sucesso em suas carreiras. Você já está no caminho desse importante aprendizado, independentemente se acertou ou não na sua escolha de transição profissional.

    Texto publicado na Coluna Divã Executivo do jornal Valor Econômico
    por Sofia Esteves
    Presidente do Grupo DMRH

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