• O que faço se meu chefe me controla o tempo todo?

    20 Aug 2013
  • Fui contratada há sete meses por uma empresa de médio porte do setor de tecnologia. O ambiente é agradável e o trabalho é interessante, mas estou tendo problemas com meu superior direto. Embora tenha metas semanais e consiga batê-las sem dificuldades, meu chefe, que é bem mais velho que eu, faz questão de passar boa parte do tempo me monitorando. Além de controlar meus horários de entrada e de saída, ele pede “relatórios” a todo momento sobre o que eu estou fazendo, interferindo e atrasando o meu trabalho. Embora não tenha discutido isso na entrevista admissional, achei que teria mais autonomia e flexibilidade, pois não se trata de um trabalho em equipe. O que devo fazer?

    Analista, 24 anos

    E há quem diga que os estudos sobre gerações e as mais recentes mudanças no universo do trabalho não fazem sentido. A cada questionamento como o seu, só tenho mais certeza de que estamos vivendo um momento de transformação no qual se faz necessário reciclar conceitos e premissas das relações no mercado de trabalho.

    Segundo uma recente pesquisa da consultoria Accenture, mesmo com milhões de pessoas desempregadas nos principais mercados do mundo, as organizações estão com dificuldade para encontrar profissionais com o perfil desejado. Mais de 30% dos empregadores estão com problemas para preencher as vagas e mais de 70% citam a falta de habilidades por parte dos candidatos que influenciam a produtividade e a relação com o cliente. Enquanto isso, a maioria dos profissionais alega insatisfação com a equipe de trabalho ou gestor imediato.

    Temos aí um nó difícil de desatar: empregadores estão enfrentando uma escassez de talentos e habilidades essenciais em seu time e temos profissionais insatisfeitos com suas lideranças e com a burocracia do mercado de trabalho convencional. Este cenário só tende a piorar nos próximos dez anos, já que mais baby boomers (nascidos entre 1946 e 1954) estarão se aposentando e o índice de natalidade tem caído. Além disso, vemos crescer o empreendedorismo e a busca por propósito, autonomia e flexibilidade.

    Não é isso o que você está buscando? Essa é a receita certa para uma disputa acirrada por talentos e a necessidade de revisão dos modelos atuais de trabalho. Seu superior imediato provavelmente viveu um momento no qual liderar pessoas estava relacionado com controles e carga horária padrão. O bom líder era quem se tornava referência técnica para seus “subordinados” e, por isso, a necessidade de acompanhamento próximo e conferência da entrega.

    Converse com as pessoas que estão na sua equipe há mais tempo e procure entender se esse é o jeito de liderar do seu superior ou se o comportamento dele está mais relacionado com o fato de você ser novo na equipe e ele ainda não confiar em você e no seu trabalho. Muitas vezes, o fato de você estar chegando à empresa gera insegurança e aumenta a necessidade de controle do gestor. A construção de parcerias com as pessoas do time pode ser essencial para você mapear soluções.

    Investigue o que já foi feito. O comportamento do chefe faz parte da cultura da empresa? Ou será que se trata mesmo da diferença entre gerações? Se for algo específico do seu superior, é possível mudar as coisas com diálogo e confiança. Caso isso seja parte da cultura, pode ser o caso de repensar a sua escolha.

    Texto publicado na Coluna Divã Executivo do jornal Valor Econômico
    por Sofia Esteves
    Presidente do Grupo DMRH

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