• Mercado valoriza mais estudo ou experiência?

    16 Oct 2013
  • Tenho 26 anos, conclui minha graduação em administração em 2011 e logo iniciei um mestrado acadêmico em finanças, que vou terminar este ano. Já trabalhei durante um ano como estagiário em uma holding e, depois, fui efetivado e fiquei mais seis meses na mesma empresa com carteira assinada. Decidi sair para me concentrar no mestrado, pois sentia que precisava aprimorar algumas deficiências técnicas para atingir meu objetivo que é chegar ao topo. Agora, estou em dúvida sobre como devo proceder para procurar um novo emprego. Não sei se devo apostar em programas de trainee ou já tentar cargos mais elevados. As empresas vão me valorizar por ter o mestrado mesmo sem ter muita experiência profissional? O mercado oferece boas oportunidades para pessoas com o meu perfil?

    Estudante, 26 anos

    Concluir a graduação e optar pela carreira acadêmica como próximo passo é uma rota cada vez mais comum aos jovens profissionais como você. São diversos os fatores que podem influenciar nessa escolha – alguns deles, bastante individuais. No entanto, ao analisarmos alguns pontos coincidentes entre os estudantes, como você, que optaram por seguir essa trajetória, conseguimos enxergar alguns cenários.
    Um deles é que a graduação tem funcionado cada vez mais como um período de formação, mas não de definição ou especialização profissional. Isso leva a muitos jovens a optarem por esticarem o período acadêmico, ganhando mais segurança nas suas escolhas de área de interesse e no seu conhecimento técnico.

    Outro ponto é a segurança que essa escolha traz, já que é um contexto mais próximo ao vivido na graduação e o mercado de trabalho exige mudanças significativas em relação ao papel de estudante e do profissional.
    No seu caso, parece que a escolha pelo mestrado em finanças esteve mais relacionada com a busca pelo aprofundamento técnico, já que você vivenciou o mercado de trabalho no seu estágio e nos seis meses da efetivação e afirma que seu objetivo é chegar ao topo, o que eu interpretei como atingir cargos de liderança em uma empresa. Ou seja, estou entendendo que você quer retornar à atuação profissional no setor privado.

    Caso você queira trilhar uma carreira de gestão de pessoas, faz mais sentido investir nos programas de trainee. E se finanças é algo que você gosta muito, vale a pena investir nos programas das empresas onde seu conhecimento técnico seja o principal “produto”. Assim, você tem mais chance de o seu mestrado acadêmico ser valorizado na seleção e no seu desenvolvimento profissional como trainee.
    Caso você queira trilhar uma carreira de liderança mais técnica, ou seja, como especialista, vale a pena buscar posições como analista em uma área similar à sua linha de pesquisa no mestrado. As duas portas de entrada podem te levar ao topo, em especial, nas empresas que oferecem trilhas em “Y” para o crescimento profissional.

    Muitas organizações têm estruturado programas de jovens profissionais com uma proposta diferente daquela oferecida no de trainee. Este último é focado no desenvolvimento de jovens potenciais, independentemente de experiência profissional prévia ou graduação específica, ou seja, mais generalista. Já o primeiro vem sendo construído para sanar a deficiência do mercado de trabalho em especialistas.
    Neles, as empresas também investem no desenvolvimento dos jovens profissionais, mas dão prioridade àqueles com alguma experiência prévia em empresa ou segmento similar e com pós-graduação ou mestrado acadêmico relacionado ao negócio. Essa também pode ser uma boa oportunidade para o seu atual momento de trabalho. Caso seja a sua opção, esteja aberto a algo que pode ser uma tendência de mercado, mas que como toda inovação exige inspiração e muita transpiração para fazer dar certo.

    Texto publicado na Coluna Divã Executivo do jornal Valor Econômico
    por Sofia Esteves
    Presidente do Grupo DMRH

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