• Eu não sou criativo!

    22 Jul 2014
  • Hoje vou tentar desmistificar um pouco o principal argumento negativo que ouço quando toco no tema ser ou não ser criativo.

    A meu ver, o nosso “índice” de criatividade é proporcional aos padrões que nos são ensinados desde a infância e que poucas vezes contestamos. Por exemplo, quem nunca achou engraçado quando uma criança desenha algo que nada se parece com uma casa e afirma que é? Isso acontece porque uma criança tem sua criatividade estimulada livremente, sem referências. Aprendemos que uma casa tem que ter determinada forma e padrão: porta, janela, parede e teto. Será que temos que seguir sempre estes padrões?

    Algumas pessoas se permitem ter a mente mais isenta de “rótulos” e acabam sendo mais criativas. Outras se prendem às referências pré-estabelecidas e podem, sem querer, bloquear suas ideias. O que eu gostaria de deixar claro é que quando falamos em criatividade não falamos exatamente de um dom, mas sim de uma competência que pode ser desenvolvida.

    Para começar esse aprendizado, é importante dizer que a maioria das ideias interessantes surgem a partir do palpite de uma pessoa, que é somado aos palpites ou conhecimentos de outros e, assim por diante, até que a versão final ganhe asas. É como se elas precisassem de um tempo de incubação para se consolidar e tivessem que ser geradas em etapas. Ou seja, uma boa ideia dificilmente nasce pronta, mas com certeza pode surgir durante um processo criativo.

    Seguindo essa lógica, para uma pessoa se tornar mais criativa, é essencial que aumente sua conexão com outras pessoas, criando meios para que esses “encontros de palpites” aconteçam. Muitas empresas, por exemplo, promovem reuniões que podem ser chamadas de Saraus, Comitês, Brainstorming ou mesmo nem terem um nome. O que vale mesmo é que esses momentos entrem de alguma maneira na “rotina” das pessoas que almejam ser mais criativas, para assim facilitar o surgimento de um novo insight.

    Outra dica é incluir nesses grupos de estímulo à criatividade pessoas que não atuam em áreas relacionadas ou pessoas que tenham conhecimentos multidisciplinares – por exemplo, incluir um engenheiro num Comitê de Marketing. Considerar um mix de referências pode gerar um olhar diferente sobre uma mesma ideia e facilitar que um palpite encontre aquele outro que faltava para gerar uma ideia única.

    Enfim, quem quer ser criativo não pode descartar palpites ou guardá-los a sete chaves. Para estimular sua criatividade é necessário permitir romper paradigmas e aceitar que não existe certo ou errado. E, para quem quer refletir mais sobre este assunto, sugiro assistir a este vídeo pra lá de inspirador: “De onde vem as idéias?”

    Texto publicado no blog Carreira em Gerações
    por Sofia Esteves
    Presidente do Grupo DMRH

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