• Devo trocar uma multinacional por uma empresa menor?

    14 Sep 2013
  • Trabalho há seis anos em uma multinacional do setor de seguros, gosto do que faço e até recebo feedbacks positivos. Durante todo esse período, no entanto, nunca consegui um aumento ou promoção relevante. Muitos dos meus colegas estavam em uma situação parecida e decidiram deixar a empresa. O problema é que todos eles foram trabalhar em companhias pouco conhecidas e de menor porte. Um deles, inclusive, me disse que está em um cargo superior ao que ocupava, com mais autonomia, mas que o salário é praticamente o mesmo de antes. Embora eu também tenha vontade de mudar, acho importante fazer parte de uma companhia conceituada e que seja forte no mercado. Vale a pena insistir mais um pouco ou devo tentar desenvolver minha carreira em organizações mais enxutas e menos hierárquicas?

    Coordenador, 33 anos

    O seu questionamento só me faz ter certeza de que, realmente, estamos vivendo um período de mudanças e transformações na relação que temos com o trabalho. O sociólogo italiano Domenico De Masi acredita que estamos no período de reinvenção do modelo de trabalho moldado pela Revolução Industrial e que ditou esse padrão de eficiência que seguimos ainda hoje.

    O que até bem pouco tempo atrás era considerado o único e o correto caminho profissional – fazer uma boa faculdade e conseguir um bom cargo em uma grande empresa – já não traz mais todas as respostas nem é sinônimo de sucesso ou de realização.

    As principais mudanças que estamos vivendo no mercado de trabalho estão relacionadas com diversos fatores como a alta competitividade que as empresas vêm enfrentando para atrair e reter seus principais talentos. Se antes as grandes organizações se preocupavam com a perda dos seus colaboradores para as concorrentes, hoje elas têm que se preocupar com a competição com o empreendedorismo e as ofertas de pequenas e médias empresas. Existem muitos profissionais descobrindo suas vocações e realizações nos novos modelos de trabalho. Esse pode ser o seu caso e dos seus colegas.

    Outros fatores que colaboram para o surgimento desse novo modelo são as mudanças constantes, os cenários econômicos repletos de incertezas, o multiculturalismo, os estímulos por parcerias e pela flexibilidade nas organizações, o poder descentralizado reduzindo e eliminando níveis hierárquicos, as possibilidades de atuação ampliadas pelo mundo virtual, a valorização dos espaços organizacionais e não mais dos cargos. Ou seja, acredito que é possível repensar o peso que está dando ao salário e ao nome e porte da empresa, a não ser que isso seja mesmo muito importante para você.

    Em pouco tempo, fazer parte de uma companhia conceituada e forte no mercado não será um fator determinante no currículo profissional. O que será valorizado será o espaço organizacional que você ocupa na empresa, os desafios que assume e o quanto você constrói uma trajetória conectada com os seus mais diversos talentos e sua vocação.

    Cada uma das experiências nas grandes, pequenas e médias empresas terá ônus e bônus e é preciso que você analise o quanto está disposto a vivê-los. As grandes empresas, de maneira geral, apresentam estruturas e políticas mais claras e organizadas, além de oferecerem uma carga horária maior de treinamentos considerados referências no mercado. No entanto, são menos flexíveis devido à burocracia e limitações necessárias para a gestão de muitos colaboradores, produtos e serviços.

    Já as médias e pequenas empresas costumam oferecer desafios complexos e multidisciplinares, com estruturas e políticas mais flexíveis, possibilitando uma maior autonomia e experiências diversificadas. Por outro lado, elas podem dar uma carga horária menor de treinamentos formais e ter ferramentas de gestão menos desenvolvidas – o que reflete um pouco o que seus colegas estão vivendo.

    Acho que vale a reflexão sobre o que você está disposto a viver. Além disso, recomendo que inclua em suas opções de carreira não só a mudança da grande para a pequena empresa, mas também o encontro com outras rotas e possibilidades de alcançar o reconhecimento e a realização que tanto busca.

    Texto publicado na Coluna Divã Executivo do jornal Valor Econômico
    por Sofia Esteves
    Presidente do Grupo DMRH

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