• Sobre tatuagens, piercings e alargadores (ainda existe preconceito no mercado de trabalho?)

    10 Mar 2015
  • Tenho visto muitos pais aflitos quando seus filhos adolescentes insistem em colocar um piercing na sobrancelha, nariz, lábios, ou mesmo uma “tattoo descolada” no corpo. Não é muito difícil compreender a razão desse desconforto.

    Quando entrei no mercado de trabalho, há algumas décadas, havia, sim, muito preconceito em relação ao que podemos chamar de modificação corporal – tatuagens, piercings, alargadores, e outras mais radicais.

    O que foi iniciado como uma prática religiosa, ou rito de passagem em algumas culturas milenares, foi condenado pela religião católica na idade média, permanecendo até pouco tempo atrás, prática condenável às pessoas de bem.

    Com a evolução de nossa cultura, o individuo tomou posse do seu corpo e as modificações corporais se desvincularam da religião, passando ao status de moda, ou expressão da própria identidade individual ou grupal, entre outras coisas.

    Quando me lembro dos vários gestores que participaram dos meus treinamentos de seleção nas empresas, entendo essa aflição dos pais. Embora os mais jovens e abertos às diferenças estejam subindo na escala hierárquica do mundo corporativo, uma grande parte de gestores que hoje decide sobre a contratação dos jovens, ainda está presa aos valores que não aceitam a exposição de ttattoos ou piercings na sua organização. Em geral o discurso é: “desde que não apareça, não me incomodo”.

    Ok! Então vamos esconder as tattoos, os piercings, alargadores (é mais difícil!) e vamos para o mercado de trabalho!

    – Bem, a situação não é exatamente dessa maneira. Na verdade, não temos uma equação matemática formulada para essa situação, onde: sem tatuagem = emprego garantido, ou tatuagem = desemprego.

    Nesse verão fui apresentada a uma mulher de 35 anos, que ostentava três tatuagens bem grandes, uma no colo e pescoço, sob as alças de sua camiseta, uma no braço esquerdo e uma na perna direita. Todas lindas! Imediatamente perguntei: Em que você trabalha? – Sou produtora cultural. Ah! Está explicado!

    Me pergunto se ela poderia integrar uma equipe financeira, ou jurídica numa instituição mais formal. Claro que sim! Mas com certeza as possibilidades serão maiores se ela tiver a sorte de ter um gestor mais aberto às diferenças.

    Cada segmento/organização tem uma cultura própria e códigos bastante específicos de conduta e apresentação. Então sabemos que, para conquistar o seu lugar no mercado de trabalho, a aparência não é determinante, mas é importante, pois pode significar um facilitador ou dificultador, de acordo com a profissão escolhida.

    Sabemos hoje que algumas profissões, em especial as ligadas às artes, produtos para jovens, publicidade, programação e outras, principalmente voltadas à Comunicação e Internet, estão entre as mais tolerantes com modificações corporais. Entretanto, se você vai trabalhar com atendimento ao público, por exemplo, e tem uma tatuagem aparente, pode ter alguma dificuldade no momento de ingressar no mercado de trabalho.

    Sabemos que a presença ou não de uma tatuagem ou piercing não define o seu valor ou caráter pessoal e profissional, porém dentro de uma cultura pode sim fazer a diferença. Então se você pretende ter uma obra de arte definitiva sobre a pele, vale a pena levar isso em consideração. Se você já tem alguma difícil de esconder, tente escolher uma empresa ou segmento mais liberal, para aumentar suas chances de conquistar a vaga dos seus sonhos.

    por Líliam Pajtak 
    Consultora de Processos Seletivos da Cia de Talentos

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