• Passando a bola…

    18 Jun 2013
  • Quatro anos se passaram desde o último jogo…
    A bola foi substituída por um computador e as dores nas pernas se tornaram dores de cabeça!
    A condição física também sofreu algumas alterações em LARGA escala. =)

    Depois de muitos anos dentro das quatro linhas (da quadra), meus objetivos já haviam sido alcançados. Já havia sido campeã paulista, brasileira e sul americana. Já havia participado de campeonatos mundiais, da primeira divisão do basquete universitário dos EUA, e também de campeonatos europeus por clubes da Espanha. Mas o que fazer depois do apito final?

    Porque não Cinema na área fotográfica?
    Com 28 anos nas costas, economista e jogadora de basquete por 20 anos, fui atrás de uma nova faculdade. Um investimento de apenas três mil euros. HELL, NO!

    Voltei para o Brasil, ainda na época em que jogava na Espanha, e me contentei com um curso de fotografia. Como não tinha um “padrinho” e o investimento era um pouco fora do orçamento de uma atleta de basquete, acabei desistindo de ser fotógrafa. Como havia estudado Economia na universidade americana, tinha noção de que esse negócio não seria muito fácil de manter. Mas foi tirando fotos em um evento que a nova oportunidade de carreira surgiu. Sabendo que sempre me interessei pelo novo e pela área de tecnologia, uma das sócias do Grupo DMRH me convidou para um novo time, e colocou fé na escalação de uma “basqueteira”, economista e fotógrafa meia boca.
    No primeiro dia de trabalho, olhei para meu companheiro e perguntei:
    “O que você sabe? O que eu tenho que aprender para jogar bonito?”.

    Na quadra, tinha que falar espanhol, português de Portugal, inglês e escutar um técnico gritando em catalão. Foram inúmeros momentos de pressão que fizeram com que eu me tornasse cada vez mais adaptável. Aprendi que mais do que tentar acertar a todo o momento, o mais importante é fazer a diferença no momento adequado. No escritório, continuei com a mesma atitude que nas quadras, dando sempre mais valor em fazer as assistências do que pontuar sozinha!

    Rodei o mundo e tive a opção de escolher entre ganhar troféus e fazer amigos. Escolhi a segunda opção. Acredito que caixão não tenha gaveta, então faça a diferença entre as pessoas que fazem parte da sua vida.

    Antigamente, entrava em cada jogo com o pé direito. E hoje em dia, em cada reunião importante, faço o mesmo. Como armadora, liderava 11 craques, e agora como Coordenadora, lidero dois meninos talentosos. Tenho metas mais altas que minhas antigas adversárias para superar. A sensação que tenho, é que preciso converter mil arremessos de lance livre por dia, para que a torcida, hoje composta por clientes e colegas de trabalho, possa aplaudir minha equipe no final.

    Às vezes me perguntam: “Mari, você sente saudades de jogar?”.
    Eu digo que sim! Mas o que eu mais sinto saudades mesmo era que no basquete, eu falava uma vez ou duas da forma que fosse preciso. Se não fosse suficiente para fazer acontecer, a terceira era na cotovelada! Rsrsrs…Hoje em dia adequei minha linguagem para fazer com que o time jogue bonito.

    por Mariana Villas Bôas
    Coordenadora de Comunicação da Cia de Talentos

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