• O jornalismo é uma carta

    7 Apr 2016
  • Eu poderia mentir para você, falar que eu lia 30 livros por ano ou que só tirava nota boa em redação. Ou ainda que gramática era meu forte ou que eu sabia de cor toda a vida do escritor Fernando Sabino.

    Eu poderia, mas não vou.

    Porque se eu lia uns 5 livros por ano era muito.

    Nota boa em redação para mim era uns 6.

    Análise sintática parecia ser um troço mais complicado do que calcular logaritmo.

    Fernando Sabino? Amei o livro “O menino no espelho” e só.

    Mas, havia uma coisa que eu gostava de fazer nas minhas horas vagas e que deu o norte para a escolha da minha profissão, o jornalismo. Eu curtia escrever cartas. Comecei escrevendo para minha avó Edméa. Às vezes nem esperava a resposta e já mandava outra.

    E o que é uma carta? Carta é praticamente uma reportagem. Você reporta seu amor, alguma coisa que aconteceu na semana passada, uma fofoca, a preocupação com o futuro, pede conselho, pede presente, pede resposta.

    Claro que ao jornalista não basta escrever.  Mas certamente elas foram a base para minhas matérias nas revistas Exame, Você S/A, Cosmopolitan, Forbes Brasil, além dos jornais Valor Econômico e Folha de S.Paulo, UOL e TV Ideal.

    E vou além. Como você entra no mercado de trabalho? Com uma carta, que padronizaram chamar de currículo – mas seria muito mais legal se a gente pudesse escrever bem grande lá em cima CARTA. Porque aquele espaço escrito reporta o que você fez até ali – ou deveria. Mandei currículo para o extinto Diário do Comércio e logo fui chamada. E aí, uma coisa leva à outra e, quando eu olho para mim mesma me vejo aqui, escrevendo esta carta para você.

    Se eu pudesse te dar uma dica sobre sua carreira, eu te diria: nunca pare de escrever. A escrita te ajuda a ter um raciocínio linear, com começo, meio e fim – nesta ordem – o que facilita o entendimento.

    Agora, se eu pudesse te dar uma dica apaixonada, eu te diria: escreva cartas. Do seu jeito, por e-mail, Twitter, WhatsApp, ou papel. A carta leva um pouco de você para o outro. E isso faz diferença no mercado de trabalho e na vida. Ô se faz.

     

    Anne Dias, jornalista de economia

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