• Intercâmbio: uma oportunidade para fazer trocas

    21 Jul 2015
  • Se um dia me perguntarem quais foram as cinco melhores experiências de vida que eu já tive, o meu intercâmbio, certamente, estaria num lugar de honra desta lista. Se as boas experiências fossem guardadas em malas ou gavetas, diria que a mala (ou a gaveta) do meu intercâmbio é uma que abro com frequência: seja pra compartilhar alguma história, recordar um bom momento ou para ter acesso a algum aprendizado e aplicá-lo na minha vida.

    Fazer um intercâmbio sempre esteve presente em meus planos e optei por fazê-lo assim que eu terminei a graduação. Tinha em minha cabeça alguns propósitos: queria aprimorar o inglês, conhecer um lugar legal e desenvolver algumas competências (autonomia, independência, adaptabilidade etc.). Mas mais do que isso, queria ter a oportunidade de passar por “isso” (poder dizer, com orgulho: “eu fiz intercâmbio!”), mesmo sem saber exatamente que “isso” era muito mais do que eu podia imaginar.

    A palavra “intercâmbio”, em sua essência, significa “troca”. E de fato, “trocar” é o que fazemos o tempo inteiro quando estamos fora da nossa zona de conforto (e quer uma situação mais fora da zona de conforto do que um intercâmbio – outra casa, outro idioma, outro país, outro clima, outros costumes, outras tantas coisas diferentes da nossa realidade?).

    Escolhi passar um mês em Malta. Sai do Brasil com hospedagem (em casa de família; havia a opção de residência estudantil também) e matrícula na escola de idiomas feitas. Tudo foi muito bem organizado e eu tive zero problema (problema nenhum, mas me acostumar ao sentido invertido das ruas e os carros com o lado do motorista trocado com o do passageiro foi uma dificuldade)! Na mesma casa que eu, além da família (todos malteses), havia outros estudantes (um colombiano, um espanhol, um venezuelano e na última semana, chegaram três franceses). Frequentávamos a mesma escola, mas não a mesma sala. Na minha sala de aula havia alunos da Turquia, Argentina, Itália, República Tcheca, Líbia, Camboja, Chile, França, Alemanha e Espanha, e a troca de cultura é tão grande que hoje, se eu me arriscar em ir para um desses lugares, acredito que terei um lugar para ficar.

    Além dos colegas de casa e de classe, tinham também os colegas extraclasse. Vivi de fato a mistura do Brasil com o Egito e com a Coréia, já que os amigos mais próximos com quem eu pude conviver eram desses países. Aprendi com todos esses que mencionei acima, que a maior riqueza de qualquer país, são as pessoas. Sem as pessoas, não haveria a troca.

    Falar inglês não era uma opção, era uma necessidade. A necessidade faz com que a gente passe a pensar em inglês (e sim, até sonhar em inglês – sem legenda – eu sonhei quando eu estava lá)! Pensar em inglês acelera o aprendizado (em minha opinião, uma das maiores dificuldades no processo de aprender outro idioma).

    Fui com uma impressão de que um mês demoraria a passar e quando eu sobrevoava Malta na volta constatei que tudo passou rápido demais.

    Para quem pensa em fazer um intercâmbio, seguem as minhas dicas:

    1- Procure organizar tudo e não ache que todas as recomendações que sua agência ou seu agente de viagem te darão são exagero. É melhor pecar pelo excesso às vezes. Imprevistos ensinam, mas não custa nada tentar evitá-los.

    2- Não fique sozinho e nem somente dentro de casa; O novo país e o local onde estará hospedado será seu lar por um período, mas não se acomode. Busque conhecer tudo o que puder! Meus maiores aprendizados foram com as pessoas, por isso, busquei estar perto delas! Mesmo que você seja mais tímido, se arrisque! Valerá a pena. Procure passar por situações que te tirem da zona de conforto.

    3-  Seja fiel aos seus objetivos. O intercâmbio é um momento pra conhecer gente nova, se divertir e fazer turismo? É! Mas se o seu principal objetivo for estudar, organiza-se e mantenha-se focado. É possível fazer um pouco de tudo… Mas procure não se perder nas atividades de lazer e deixar o compromisso de lado.

    4- Absorva o máximo que puder de outras culturas. Isso amplia o nosso repertório de uma forma valiosa e aumenta o nosso senso de respeito e empatia pelo outro.

    5- Identifique o melhor momento de vida para passar por esta experiência. Ir por ir é muito fácil. Tenha propósitos claros. Isso fará com que você aproveite mais e da melhor maneira.

    Viva essa experiência e depois compartilhe com a gente se o intercâmbio também não entrará para o seu Top Five de melhores experiências de vida!

     

    por Luís Maurício Sant’Ana Silva 
    Consultor de Processos Seletivos da Cia de Talentos

     

     

     

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